Evangelho (Jn 13,1-15): Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora, hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. Foi durante a ceia, (...) Jesus levantou-se da ceia, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a à cintura. Derramou água numa bacia, pôs-se a lavar os pés dos discípulos e enxugava-os com a toalha que trazia à cintura (...).
Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e voltou ao seu lugar. Disse aos discípulos: «Entendeis o que eu vos fiz? Vós me chamais de Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque sou. Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros (...)».
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Os dois termos se explicam reciprocamente, são inseparáveis. O amor ao máximo é o processo do passo, da transformação, do sair dos limites da condição humana, na qual todos estão "separados" uns dos outros, em uma alteridade que não podemos sobrepassar. É o amor até o extremo que produz a "transformação" aparentemente impossível: sair das barreiras da individualidade fechada; isto é exatamente a “ágape”, a irrupção na esfera divina.
—A "hora" de Jesus é a hora do grande "passo adiante", a transformação do ser através do "ágape". "Tudo está cumprido", dirá o Crucificado: é uma ágape "até o extremo", a totalidade do entregar-se a si mesmo até a morte.
Comentário: Rev. D. Jaume GONZÁLEZ i Padrós (Barcelona, Espanha)
Hoje São João descreve-nos a última ceia do Senhor no marco da páscoa judia. Destaca a consciência que tinha o Mestre, Ele sabia que tinha chegado sua hora, a de passar deste mundo ao Pai. E, para expressar sua caridade, se amarra a cintura e lava os pés aos discípulos.
Aproxima-se o momento sublime do grande Amor. O sacrifício do inocente na cruz. Jesus reúne-se com os seus para celebrar a páscoa no seu Sangue, amor derramado em serviço humilde para com os mais pobres, a humanidade inteira necessitada de ser resgatada do pecado.
—Senhor, que também nós cheguemos a compreender, como Pedro, teu gesto de serviço —de caridade— sem pretender nada em troca. Ajuda-nos a deixar lavar nossos pés por ti, a deixar-nos purificar por tua palavra de perdão, sempre novo. Que a eucaristia que instituíste seja a fonte genuína onde teus sacerdotes e todos nós possamos ser sempre lavados no teu Amor.
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