“Ele dá força ao cansado, e ao desfalecido renova o vigor.” Isaias 40:29

Parte da cura consiste em parar de se culpar pelo que aconteceu. Mas é importantíssimo tomar consciência: embora ser vitima de abuso não seja culpa sua, continuar na situação de vítima certamente é.
Todo mundo atravessa circunstâncias difíceis na vida. Se essas circunstâncias forem muito difíceis, há duas maneiras de sair delas: como sobrevivente ou como vítima.
Sobreviventes são pessoas que, apesar das dificuldades e sofrimentos, mantém seu poder pessoal e a crença de que podem agir de forma diferente quando surgirem novas provações.
Vítimas são aquelas que, a partir do que sofreram, passam a se sentir impotentes e derrotadas. Se você se considera uma vítima do que lhe aconteceu no passado, corre o enorme risco de se sentir impotente em relação ao que pode lhe acontecer no futuro.
É importante entender qual é o poder que nos permite ser sobreviventes. Não é um poder exercido sobre os outros, mas com os outros.Não é dominação, mas cooperação. Os sobreviventes são pessoas que foram vitimas de sofrimento, mas conservaram seu poder, enquanto que as vítimas o perderam. Esse poder inspira os que nos rodeiam a darem o melhor de si. Ser vítima não é culpa sua, continuar na situação de vitima certamente é.
Dóris procurou a psicoterapia por recomendação de seu advogado. Ela se acidentara quando trabalhava numa grande firma de contabilidade. Seu advogado temia que ela entrasse em depressão e queria que eu examinasse o caso. Dóris crescera em um bairro pobre da cidade, e a família sentia muito orgulho por ela ter estudado e conseguido um emprego em uma empresa respeitável. Era uma pessoa bem-sucedida, pelo menos até o acidente.
Agora Dóris tinha medo de não ser mais capaz de prosseguir em sua trajetória de sucesso. Sentia dores constantes nas costas, o que dificultava muito sua permanência no emprego. O advogado dissera que ela poderia receber uma indenização significativa que lhe daria autonomia financeira. Dóris estava confusa e sofria. A ideia de conseguir uma alta soma em dinheiro a agradava, mas pensar que não voltaria a trabalhar a deprimia. - Não sei que rumo tomar - disse Dóris, olhando para fora. - O que você acha que pode fazer? - perguntei. - De fato, não sei. Meu advogado está me pressionando para procurar médicos que atestem a gravidade do dano físico que sofri. Ele diz que o caso é bom e que a empresa deve pagar pelo que aconteceu comigo. Não estou convencida, porque gosto tanto do meu emprego... É como se minha vida tivesse acabado quando estava apenas começando. - Isso é triste - comentei. - Eu sei. Tristeza é o que sinto a maior parte do tempo. E eu era tão feliz. O que está acontecendo comigo? - perguntou Dóris, olhando diretamente para mim.
A resposta não era simples. A dor física constante deprime, e ela estava sofrendo com isso. Mas achei que esta não era a única causa da depressão. Dóris também se sentia impotente. O advogado a fizera acreditar que ela não voltaria a trabalhar, que não tinha meios para mudar seu futuro e que deveria ser compensada por isso. Uma alta recompensa financeira, somada a crença de que jamais voltaria a ser produtiva, funcionava como um grande incentivo para ela abrir mão de seu poder pessoal. Se pudesse convencer os outros de que estava realmente impedida de trabalhar, ganharia o caso. Mas isso fazia com que Dóris se sentisse uma vítima. A vida é complicada.
Ás vezes, a solução ideal em termos legais ou políticos não é a melhor em termos psicológicos. Quero deixar claro que não acredito que um processo judicial acabe transformando uma pessoa em vítima. Tenho bons amigos advogados que realizam um trabalho espetacular para que seus clientes exerçam seus direitos. Mas, no caso de Dóris, embora a ação judicial a ajudasse financeiramente, a agredia psicologicamente. Em termos legais, era interessante que ela fosse uma vitima, mas, psicologicamente, Dóris não queria se sentir assim.
Empenhei-me junto com Dóris para ajudá-la a se tornar uma sobrevivente de seu sofrimento. Ela se sentia impotente em relação ao que lhe acontecera, mas rejeitava a ideia de ser uma vítima. Gostava de se ver como uma batalhadora, e nenhum dinheiro compensaria essa conquista. O dano físico não enfraqueceu seu poder. Acreditava que podia enfrentar suas batalhas judiciais, mas recusava a condição de impotência. Dóris é uma sobrevivente, o sofrimento não a derrotou. Ao tomar consciência disso, ela reagiu recuperando sua forca, tornando-se exemplo e inspiração para todos que a conhecem.
Deus não nos abandona em nosso sofrimento e nos deu recursos para nos tornarmos sobreviventes, e não vítimas. Ele promete forca ao cansado e vigor ao desfalecido. A verdadeira força e o verdadeiro poder não são instrumentos para dominar os outros, mas para ajudá-los a crescer.
Deus nos criou com poder suficiente para sobreviver ao sofrimento. Você não deve se culpar por estar cansado ou debilitado, mas sempre pode escolher sobreviver recorrendo aos recursos de que dispõe: amigos, aconselhamento profissional e sobretudo a ajuda de Deus. Peça, com a maior convicção e intensidade, forca e sabedoria para fazer a melhor escolha. Você saberá então a diferença entre ser sobrevivente e ser vitima.
(Fonte: Como Deus cura a Dor - Mark W. Baker)
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